Uma carta para você
Você está na pia, terminou de passar o protetor, e em três minutos os olhos começam a arder. Você esfrega, lava com água, jura que da próxima vez compra outro. Compra outro, e arde de novo. Aí você começa a achar que o problema é você. Eu preciso te dizer uma coisa primeiro: o problema, na maioria das vezes, não é você.
Não é a sua pele que é frágil demais. Não é o seu olho que é sensível demais. Não é uma alergia rara. Na maioria das vezes, é um produto que foi formulado de um jeito que previsivelmente ia arder, e que você comprou confiando em uma embalagem bonita ou em uma propaganda que disse "hipoalergênico".
Isso é o que eu quero te ensinar nas próximas páginas: a olhar para uma embalagem de protetor solar e prever, em 30 segundos, se ele tem chance de arder. Sem mistério, sem química avançada. Só algumas regras que mudam tudo.
A grande surpresa, e essa é a coluna deste material, é que o filtro UV raramente é o vilão. Os filtros UV são, dos componentes do protetor, os mais regulamentados, mais testados e mais estáveis. O verdadeiro responsável pelo ardor costuma ser um ingrediente que ninguém olha: o álcool, a fragrância, ou o tipo errado de surfactante. Tudo o que está acompanhando o filtro.
Pele é saúde. Trate com método. Esse método começa por entender o que você está colocando no rosto.
Com afeto,
Dra. Anna Clara dos Santos da Costa
Dermatologia TED · SBD
Material educativo, sem patrocínio. As marcas citadas aparecem como exemplos didáticos, não pagaram para aparecer aqui e não foram avisadas.
Como eu fiz essa auditoria
Eu fui na farmácia, na internet, e juntei a composição declarada (a INCI) de mais de 30 protetores solares faciais vendidos no Brasil. Fotografei rótulo. Cruzei com bula em e-commerce. Conferi nas bases técnicas que listam ingrediente por ingrediente (Incidecoder, Skinsort, CosDNA).
Depois fui pra literatura de superfície ocular. Li o que diz o TFOS DEWS II, que é a referência mundial sobre filme lacrimal e olho seco. Li os pareceres da SCCS, comitê científico da União Europeia que regula cosméticos. Cruzei com o que está publicado no PubMed sobre cada ingrediente que aparece nas embalagens. Conferi o que a ANVISA exige para uma marca declarar "oftalmologicamente testado" no Brasil.
Por último, fui no Reclame Aqui. Procurei por nome de marca + ardor + olhos. Anotei os produtos com queixa pública recorrente. E o mais importante: testei alguns em mim, com olho aberto, em uso real.
O que você vai ler nas próximas páginas é o resumo do que achei. Os produtos que prometem "oftalmologicamente testado" e ainda assim ardem. Os que ninguém está falando, mas têm fórmula limpa. E o método que eu uso para escolher protetor solar, leitura de INCI em cinco perguntas. Cabe no balcão da farmácia, em menos de 30 segundos.
Sua córnea é 400 vezes mais sensível que a ponta do dedo
A córnea, a parte transparente do olho, é entre 300 e 400 vezes mais sensível que a ponta dos seus dedos. Por isso um cisco minúsculo já incomoda enquanto a mesma quantidade na mão você nem nota. Qualquer química estranha gera dor desproporcional, e isso é proteção, não fragilidade.
A córnea é entre 300 e 400 vezes mais sensível que a ponta dos seus dedos. Por isso o ardor desproporcional não é fragilidade. É proteção.
Quando o protetor escorre com o suor para a margem da pálpebra, ele se mistura à lágrima. Três coisas dessa mistura ardem de forma previsível:
- Álcool evapora rápido e arranca a parte aquosa da lágrima junto. O olho fica seco em segundos, e o que era hidratação vira queimação.
- Fragrância tem moléculas (limonene, linalool, amyl cinnamal) que ativam o mesmo receptor de dor que a cebola e o wasabi.
- pH ácido ativa o mesmo receptor que a pimenta. Por isso protetor com vitamina C tende a arder.
O filtro UV raramente é o vilão. Filtros são o ingrediente mais regulado e testado da fórmula. O irritante quase sempre é o que está acompanhando o filtro: álcool, fragrância, pH baixo.
Os 4 vilões para procurar na embalagem
Se o seu protetor tem qualquer um destes, e você sente ardor, está explicado.
1. Álcool
Procure no INCI por: Alcohol Denat, Alcohol, SD Alcohol 40-B ou Ethanol. Todos são variações da mesma substância. Quando aparecem nos cinco primeiros ingredientes, a concentração é alta o bastante para causar ardor previsível em quem tem o filme lacrimal mais sensível, mesmo sem diagnóstico de olho seco. O álcool faz o protetor secar rápido e dar sensação leve, mas paga o preço de irritar mucosa quando entra em contato com o olho.
2. Fragrância
Procure por: Parfum, Fragrance, Aroma, ou qualquer um dos 26 alergênicos controlados na União Europeia, em especial: Limonene, Linalool, Citronellol, Geraniol, Amyl Cinnamal, Benzyl Salicylate, Citral, Eugenol. Eles são obrigatoriamente declarados quando a concentração é maior que 0,001%. Se a embalagem diz "unscented" ou "sem aroma", isso não é garantia: pode ter masking fragrance (uma fragrância que mascara o cheiro natural dos ingredientes). Procure "fragrance-free" ou a ausência de Parfum/Fragrance no INCI.
3. Filtro UV pequeno em concentração alta
Os filtros químicos clássicos, todos com molécula pequena, são: Homosalate, Octocrylene, Avobenzona, Octinoxato (Ethylhexyl Methoxycinnamate), Octisalate (Ethylhexyl Salicylate). Eles entram em quase todo protetor químico. O problema não é a presença, é a concentração. Quando um deles, especialmente Homosalate, aparece em segundo ou terceiro lugar da lista, a concentração é alta o suficiente para penetrar a lágrima.
4. A dupla que vira benzofenona quando bate sol
Procure por Octocrylene + Avobenzona juntos na fórmula. Essa dupla, sob luz UV, sofre uma reação química chamada degradação retro-aldol que gera benzofenona, o mesmo composto que era a oxibenzona, considerada o "Alergênico do Ano de 2014" pela Sociedade Americana de Dermatite de Contato. É um composto irritante e sensibilizante. Não é proibida, mas é um sinal de cuidado.
A embalagem mente sempre que pode. A INCI, não. A INCI é a única página do produto que tem que dizer a verdade por lei.
Atenção especial: se o seu protetor tem álcool nos cinco primeiros ingredientes e tem parfum e tem alergênico da lista da União Europeia e tem homosalate em alta concentração, é previsível que ele vá arder. Não é fraqueza sua; é a fórmula.
Os 4 sinais de uma fórmula amiga
O que olhar quando quer comprar um que não vai arder.
1. Marcas que escrevem "sem álcool" no rótulo
Procure pela ausência de Alcohol, Alcohol Denat, SD Alcohol e Ethanol no INCI, ou pelo claim explícito "sem álcool" no rótulo. Algumas marcas modernas, como Bioderma, Sallve, Adcos, Dermage e Mustela, declaram isso de forma proativa porque é um diferencial real.
Regra prática: se a palavra na INCI tem "cetyl", "stearyl" ou "cetearyl" antes, é álcool gordo, e está ali pra hidratar. Não arde.
2. Sem fragrância
Ausência de Parfum, Fragrance e dos 26 alergênicos da União Europeia. O claim "sem aroma", "sem perfume" ou "fragrance-free" é um bom sinal, mas confirme no INCI.
3. Filtro UV moderno de molécula grande
Procure por nomes como: Tinosorb S, Tinosorb M, Mexoryl SX, Mexoryl XL, Mexoryl 400, Uvinul A Plus, Uvinul T 150. Eles são tão grandes que mesmo se migrarem com suor, não atravessam a córnea.
Filtros físicos puros também são excelentes: óxido de zinco (ZnO) e dióxido de titânio (TiO2), presentes em fórmulas chamadas "mineral" ou "100% mineral".
4. Filme-formador na fórmula
Filme-formadores são polímeros que criam uma camada que prende o protetor na pele e impede que ele migre com o suor. Procure no INCI por: Acrylates Copolymer, Acrylates/C10-30 Alkyl Acrylate Crosspolymer, Acrylates/Dimethicone Copolymer, Trimethylsiloxysilicate, VP/Hexadecene Copolymer.
O combo ideal: sem álcool + sem parfum + filtro UV moderno (ou mineral) + filme-formador. Encontrar os quatro juntos é raro. Encontrar três já é um excelente sinal. Encontrar dois é um bom começo.
Como ler uma INCI em 30 segundos
Um método rápido para o balcão da farmácia.
Eu não decoro INCI. Faço cinco perguntas, na ordem, em menos de 30 segundos. Se três respostas vierem ruins, deixo na prateleira. Você não precisa entender química. Você precisa do método.
- Tem "Alcohol", "Alcohol Denat" ou "Ethanol" nos cinco primeiros ingredientes? Se sim, é provável que arda em quem tem olho mais sensível.
- Tem "Parfum" ou "Fragrance" em qualquer posição da lista? Se sim, fragrância é um dos divisores de águas mais previsíveis para ardor.
- Algum dos 26 alergênicos da União Europeia aparece? (Limonene, Linalool, Amyl Cinnamal, Benzyl Salicylate, Citral, Eugenol etc.) Se sim, é porque a concentração passa de 0,001%. Risco aumenta.
- Algum filtro UV moderno aparece? (Tinosorb, Mexoryl, Uvinul A Plus, Ethylhexyl Triazone, ou ZnO/TiO2) Se sim, ótimo sinal.
- Algum filme-formador aparece? (Acrylates Copolymer e variantes) Se sim, o produto resiste melhor ao suor e tende a não escorrer.
Dica prática para a farmácia: tire foto da embalagem com seu celular, amplie a INCI e procure as palavras-chave: Alcohol, Parfum, Limonene, Tinosorb, Mexoryl, Uvinul, Acrylates. Em 30 segundos você sabe se o produto tem chance ou não.
Os que passaram pelo crivo da INCI
Esta lista vem da leitura técnica da INCI declarada. Não é prescrição. Cada pele é única.
Os produtos abaixo apareceram, ao longo da minha leitura técnica de mais de 30 fórmulas de protetor solar facial vendidos no Brasil, com o melhor perfil técnico para risco reduzido de ardor ocular: ausência de álcool, ausência de fragrância e/ou filtros UV de molécula grande, e quando aplicável, claim oftalmológico declarado pela marca. Confirme sempre na embalagem antes de comprar, porque fórmulas podem ser alteradas a qualquer momento.
Não existe protetor perfeito. Existe protetor que não foi feito pra te machucar.
Categoria mineral pura
- Bioderma Photoderm Mineral Fluide FPS 50+ — 100% mineral. Claim "dermatologicamente, pediatricamente e oftalmologicamente testado".
- Bioderma Photoderm Cover Touch Mineral FPS 50+ — Mousse mineral com cor. Sem álcool, sem fragrância, claim oftalmológico.
- Bioderma Photoderm Nude Touch Mineral FPS 50+ — Mousse mineral matte. Sem álcool, sem fragrância.
- Adcos Mousse Mineral FPS 50 (cores) — Mineral com niacinamida e bisabolol. Sem álcool, sem fragrância.
- Adcos Fluid Mineral FPS 50 Tonalizante — Mineral fluido. Sem álcool, sem fragrância.
- SkinCeuticals Mineral Eye UV Defense SPF 30 — Único produto premium feito especificamente para a área dos olhos.
- Mantecorp Episol Mineral FPS 30 — Opção brasileira mais acessível, mineral com cor.
- Australian Gold Botanical Tinted Face SPF 50 — Mineral com fragrance-free declarado e resistência a água de 80 minutos.
- Avène Solaire Mineral Cream SPF 50+ — Creme mineral 100% da linha de pele sensível Avène. Sem álcool, sem fragrância declarado.
Categoria stick
O formato bastão tem uma vantagem mecânica simples: ele é sólido, não escoa, não escorre. Para a área dos olhos, é o formato mais seguro independentemente da química.
- Sallve Protetor Solar em Bastão FPS 60 — Estudo formal da marca com 100% das voluntárias sem ardência. Sem álcool, sem fragrância.
Categoria químico moderno bem formulado
- Creamy Watery Fluid FPS 50 — Sem álcool, sem fragrância. Oftalmologicamente testado declarado. Contém Acrylates Copolymer (filme-formador).
- Sallve Toque Seco FPS 50 — Sem álcool, sem fragrância. Claim com texto literal sobre "seguro para ser aplicado ao redor da região dos olhos".
- Sallve com Cor FPS 60 (10 cores) — Mesma base do Toque Seco. Vegano, hipoalergênico, com niacinamida.
- Dermage Photoage Water Color FPS 60 — Claim explícito "não irrita os olhos". Sem fragrância e sem óleos.
- Mustela Solar FPS 50+ (linha pediátrica, off-label adulto) — Fórmula mais conservadora do mercado: 0% álcool, 0% fragrância, 0% fenoxietanol.
- Mantecorp Episol Sec OC FPS 60 ou 99 (sem cor) — Sem álcool. Atenção: contém parfum.
- Eucerin Sun Sensitive Protect Face Cream FPS 50+ — Linha pele sensível. Fragrance-free declarado. Filtros modernos (DHHB, Tinosorb S, Triazone).
Como usar essa lista: ela não é uma receita. É um ponto de partida. O ideal é levar a embalagem para sua dermatologista ou oftalmologista, pedir avaliação para o seu caso, e testar pequena quantidade na têmpora antes de aplicar em todo o rosto.
Os que ardem, segundo quem comprou
Produtos com claim oftalmológico, mas com reclamações documentadas. Para sua informação, não para julgamento absoluto.
- Neutrogena Sun Fresh Derm Care FPS 70 — Testado pessoalmente: ardor intenso. A INCI revela álcool, parfum, dois alergênicos da União Europeia e homosalate em alta concentração. Múltiplas queixas no Reclame Aqui.
- NeoStrata Minesol Oil Control FPS 70 — Cluster de queixas: "arde os olhos", "ardência + dor de cabeça". Homosalate em segunda posição, Octocrileno e Avobenzona em sequência, parfum presente.
- Shiseido Anessa Perfect UV Sunscreen Skincare Milk SPF 50+ — Fórmula brasileira tem álcool em quarta posição e parfum. Queixa pública: "não protege e arde os olhos".
- Bioré UV Aqua Rich Watery Essence SPF 50+ PA++++ — Etanol em segunda posição, concentração altíssima. É o que dá a textura aquosa cult, mas é praticamente garantia de ardor.
- Adcos Protetor Solar Stick FPS 80 — Múltiplas queixas no Reclame Aqui. A presença de perfume na fórmula explica o ardor mesmo no formato stick.
- Principia Protetor Solar PS-01 e PS-03 FPS 60 — INCI parece limpa, mas há múltiplas queixas de ardência. Explicação técnica provável: uso de Phenylbenzimidazole Sulfonic Acid (Ensulizole), filtro UV hidrossolúvel.
- ISDIN Fusion Water 5 Stars FPS 60 — Múltiplas reclamações após mudança de fórmula que removeu a tecnologia "Safe-Eye Tech" original.
- La Roche-Posay Anthelios Airlicium FPS 30 e 50 — Cluster de queixas textuais: "derrete como guache, arde nos olhos quando escorre".
- La Roche-Posay Anthelios XL Protect FPS 70 (legacy) — Linha mais antiga, ainda em prateleira. Queixa pública de ardência facial e ocular.
- Vichy Capital Soleil Hydra-Matte FPS 50/70 — Queixa pública: "burning and intense redness on the face". INCI tem Alcohol Denat e Parfum em alta posição.
- Vichy Ideal Soleil Antiacne FPS 30 — Queixa pública: irritação grave imediata, com vermelhidão, queimação e inchaço facial.
- Helioderm (Kley Hertz) — Reclamação pública: "impossível usar, causa ardência nos olhos".
Importante: esta seção não é sentença. É informação. Os produtos citados podem funcionar muito bem para muitas pessoas. O que está documentado é o padrão específico de ardor ocular, e esse padrão merece ser conhecido antes da escolha.
Quando o problema não é o protetor
Algumas condições amplificam o ardor com qualquer protetor.
Você tem olho seco
Olho seco afeta entre 5% e 50% da população adulta dependendo do critério diagnóstico. Pode ser por causa de tela de computador o dia inteiro, ar-condicionado, uso de antialérgicos, alterações hormonais, ou disfunção das glândulas de Meibômio. Quando o filme da lágrima está fino, qualquer química se concentra mais e arde mais.
Você usa lente de contato
A lente é um reservatório. Se uma molécula pequena de protetor se deposita nela, fica liberando devagar e o desconforto persiste o dia todo. O que fazer: aplicar o protetor 15 minutos antes de colocar a lente, deixar secar completamente, e se for reaplicar, tirar a lente antes.
Você está em isotretinoína oral
A isotretinoína seca a glândula que produz a parte oleosa da lágrima. Entre 20% e 50% das pacientes têm conjuntivite leve e olho seco como efeito colateral. Durante todo o tratamento, a recomendação é protetor mineral simples, lubrificante ocular sem conservante, e atenção redobrada com qualquer fórmula com álcool ou fragrância.
Você tem rosácea
Até 72% das pacientes com rosácea no rosto desenvolvem comprometimento dos olhos (rosácea ocular). Os mesmos receptores de dor da pele estão sensibilizados também na superfície do olho. Filtros físicos puros, sem fragrância, são quase obrigatórios.
Você fez procedimento recente
Após blefaroplastia, peeling médio ou profundo, laser ablativo ou luz pulsada intensa: a barreira da pele e a função lacrimal estão alteradas por dias a meses. Use protetor físico em creme, suave, sem ativos adicionais, por pelo menos duas semanas.
Você fez LASIK
Até 95% dos pacientes têm olho seco nos primeiros 3 meses após LASIK. Nesse período, a córnea ainda está reinervando e pode reagir desproporcionalmente a qualquer química. Acompanhamento com oftalmologista, lubrificação frequente e protetor mineral simples.
3 perguntas para levar à consulta
Se a queixa for persistente, leve essas três perguntas para a sua consulta dermatológica.
- Eu tenho olho seco? Pergunte ao seu dermatologista se vale uma avaliação oftalmológica com Schirmer (mede o volume de lágrima) e BUT (mede o tempo que a lágrima leva para evaporar). Se sim, lubrificação ocular regular muda muita coisa.
- Tem algum medicamento que estou usando que pode estar piorando? Isotretinoína, antialérgicos, antidepressivos, anticoncepcionais, betabloqueadores e diuréticos podem reduzir a produção da lágrima.
- Eu tenho rosácea ou dermatite atópica na área dos olhos? São condições que sensibilizam os receptores de dor de modo persistente. Tratá-las muda a tolerância do olho a qualquer química.
Para fechar
Eu construí este material porque vejo, todos os dias no consultório, pacientes que estão na terceira tentativa de protetor solar, frustradas, achando que têm alguma coisa errada com elas. Não têm. Tem coisa errada na seleção do produto, e isso a gente conserta com método.
Se você terminou esse material e olhou pra sua nécessaire pensando "preciso reler a INCI dos meus produtos hoje à noite", é exatamente esse o efeito que eu quis. Da próxima vez que entrar na farmácia, você vai entrar diferente. E quando o atendente disser "esse aqui é o nosso melhor", você vai virar a embalagem e checar o álcool, o parfum, o homosalate. Em 30 segundos. Sem precisar de mim.
Se a queixa persistir mesmo depois de trocar com critério, procure avaliação. Sua superfície ocular pode estar pedindo um cuidado que não é do dermatologista, é do oftalmologista, e essa parceria salva muita rotina de skincare.
Pele é saúde. Olho também. Trate os dois com método, e o protetor solar deixa de ser tentativa e erro.
Com afeto e com ciência,
Dra. Anna Clara dos Santos da Costa
Dermatologia · TED pela Sociedade Brasileira de Dermatologia
Residência no Hospital Federal da Lagoa, Rio de Janeiro
Fellowship em cosmiatria e laser em Portugal
Autora do livro Skinphania



